quando as mulheres tresandam

E como já não sei a que dia ando, confesso, posso dizê-lo. Até porque está calor: os homens devem ser sempre gentis, espirituosos, galanteadores, afáveis, delicados, atenciosos, educados. Contudo, a questão é: quem porá fim à ditadura da cortesia quando as mulheres tresandam? De perfume. Um perfume caro. Um cheiro sobranceiro que enoja.

Alguém dirá: ora aqui está mais um a querer violentar as mulheres. Dir-se-ia que será decerto um homem dado ao desejo. E se calhar, um dia, morrerá sem dar por isso. Mas não é verdade que o prazer aliena? Tal como tudo aquilo que se cala apenas porque convém?

O que vale é que comprei em promoção cinco relógios de parede para pôr na sala. Ainda que só um funcione, o que me leva a recear que talvez possa estar atrasado.

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troco o do Santo Graal pelo do Judas

(…) Cansado de observar tantas tragédias, pequenas e grandes, ditadas pelos desígnios da besta e do abutre. Porque se esta é a história da crueldade e do mal, a história de forças em conflito – a desumanidade da luta pela identidade – tanto cogitou ele sobre o assunto durante o voo entre Goa e Londres, ponto de escala para o regresso a Portugal com uma breve passagem pelo headoffice da companhia, que às vezes era necessário prestar contas, deixando para trás o cadáver de um muçulmano perdido no Índico, talvez seja de concluir que a história do abutre é afinal a história que perpassa por todas as páginas dessa mescla de livros sacralizados que o mundo cristão chama de Bíblia, se bem que no Brasil o substantivo pode denominar um indivíduo protestante, o que torna tudo ainda mais obscuro, até porque também evoca a ideia de colecção, colecção de livros ou mesmo de cromos, para fazer da Bíblia uma caderneta, ainda falta alguém aparecer com a ideia, a «Última Ceia» à da Vinci partida em quadradinhos, troco-te o do Santo Graal pelo do Judas, o Iscariotes, que desses já tens muitos repetidos (…)