182 mil palavras. Ou o desatino da hipérbole ao serviço da egolatria

182 mil palavras. Ou o desatino da hipérbole ao serviço da egolatria.

O primeiro (que é o segundo na imagem) está esgotado (e descontinuado); o segundo (que é primeiro na imagem) continua a querer esgotar. Para se descontinuar. Que bem merece o descanso. De não desassossegar mais alguém

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Primeiro Capítulo de A CIDADE DOS SETE MARES

Primeiro capítulo de “A Cidade dos Sete Mares“, disponível na página oficial do livro no Facebook em http://www.facebook.com/ACidadeDosSeteMares

Literatura/Ficção (capa mole, 15 x 23 cm, 270 p.)
Romance
2014 © Victor Eustáquio e Edições Esgotadas

À venda na WookBertrand e FNAC. Também na Amazon e na Livraria Cultura, no Brasil.

 

Em Torres Vedras

Sou egoísta e verdadeiramente um chato: no que toca a literatura (ficção), escrevo só para mim, já se sabe, sem regras ou limites, sem pensar em alguém que seja. Mas depois tenho a ambição (e ambição é a palavra certa, embora também lhe pudesse enxertar a presunção) em ser lido. E até peço para que paguem por isso. Comprando o livro-produto que encerra o livro-obra. Como este que está agora à venda sob a chancela das Edições Esgotadas.

É a contradição que levo comigo nesta sexta-feira, dia 25, para a apresentação em Torres Vedras de “A Cidade dos Sete Mares”.
Ainda assim, fica o convite para todos aqueles que estiverem por perto: às 18h na Cooperativa de Comunicação e Cultura, no centro histórico da cidade.

Dou autógrafos, abraços e alvíssaras pela simpatia de quem se ocupa a ditar as regras do bom e do mau gosto literário.
Depois vou de férias… uns dias.

Em Viseu

Viseu2Viseu1Muito obrigado, Viseu. Pelo carinho, pela simpatia, pelo entusiasmo.

Um agradecimento especial ao Museu Grão Vasco, na pessoa do seu director, Agostinho Ribeiro, à minha Editora Edições Esgotadas, e às incansáveis Teresa Adão, Ana Maria Oliveira e Ana Coelho, ao meu querido amigo Carlos Seixas, e sobretudo a todos os que generosamente dignificaram a sessão de lançamento de “A Cidade dos Sete Mares” com a sua presença e paciência.

Um grande abraço a todos e até breve.

Fotos na página do livro no Facebook

“A Cidade dos Sete Mares”: em Viseu e Torres Vedras

Em Viseu

Para os que estarão por Viseu neste sábado, dia 19 de Julho, um até já.

A sessão de lançamento está agendada para as 16 horas no Museu Grão Vasco, junto à Sé

(https://www.facebook.com/events/840878729257730)

Em Torres Vedras

Daqui a semana, o encontro está marcado para Torres Vedras.

Até lá, e para quem estiver interessado, o livro está já à venda na rede nacional de distribuição.

Além do site da editora Edições Esgotadas,
http://www.edicoesesgotadas.com/livro?i=87
também na Bertrand
http://www.bertrand.pt/ficha/a-cidade-dos-sete-mares?id=15870029
ou na Wook, entre outras
http://www.wook.pt/ficha/a-cidade-dos-sete-mares/a/id/15870029

Devil in the body and your soul lost forever

In “A Cidade dos Sete Mares”

(…) No desequilíbrio entre uma faca e uma pistola, entre o prometido e o não cumprido, entre o enriquecimento ilegítimo e a possibilidade iminente da punição, o natural seria que o indiano desistisse; o natural seria que devolvesse o dinheiro e desatasse a fugir dali a sete pés, embora esteja ainda por demonstrar, nunca é demais recordar, como pode um homo sapiens correr de tal forma sendo bípede.
– Devil in the body and your soul lost forever.
Foram as últimas palavras do proxeneta, repetindo a frase que já havia pronunciado a propósito das suas incompatibilidades com hindus, antes de ser baleado três vezes. Definitivamente como alcoviteiro não parecia ser grande coisa.
A trinta e seis mil pés de altitude, quase no limite superior da troposfera, e em velocidade cruzeiro, a caminho de Londres, com a aeronave a ser sacudida por uma enorme turbulência devido a uma tempestade de areia no deserto saudita, Tiago lembrou-se das noites na costa ocidental indiana em que o mar parecia ser sopa. Água morna e praticamente sem ondulação. Noites serenas de frente para um mar adormecido, ou talvez morto. Tiago Penha permanecia sentado e com o cinto de segurança apertado, por indicação das hospedeiras – naquela época ainda não se falava em assistentes de bordo, nem sequer havia comissários a não ser os pilotos, homens que a pouco e pouco foram ocupando uma profissão até então exclusivamente feminina, substituindo os odores subtis do estrogénio pelos da testosterona – e da explosão de luzes na sinalética que encima os passageiros, sempre confusa e exagerada, quem sabe se não é para criar a ilusão de uma viagem espacial, enquanto Simão Saraiva insistia em transgredir, ao andar no corredor para trás e para a frente na parte traseira, a zona reservada para fumadores, já lá vão os tempos em que esse luxo era permitido.
– É sempre a mesma merda. Que grandes filhos da puta estes árabes! Até nos céus nos fazem a vida negra – resmungava ele, de cigarro na boca e em calções, com uma voz interior aos berros, a massacrar-lhe os nervos: Ya harmuk Allah! Ya harmuk Allah! Ya harmuk Allah!
Uma prece inusitada, porquanto fora tudo muito simples e prático. Com efeito, não havia tempo, nem lucidez, nem ferramentas para activar um plano Hollywoodesco com laivos mais macabros como o esquartejamento do cadáver. Simão limitou-se a arrastar o corpo até à beira-mar, enfiou-se a custo nos baixios do Índico e largou o indiano. A princípio, o sacana parecia não querer seguir viagem. Poucas ondas, pouco vento. Mas lá acabou por entrar na noite. E desapareceu.
Supostamente devia ter aparecido algures, talvez mais a sul, alguns dias depois. Mas o cadáver do muçulmano, atingido à queima-roupa com dois tiros no peito e outro no pescoço, nunca deu à costa, ou pelo menos nunca disso houve notícia. Soprava a monção de Nordeste, que talvez tenha ajudado, como chegou a ajudar em tempos idos as naus e caravelas lusitanas a caminho do cabo da Boa Esperança nas arriscadas viagens de regresso a Lisboa (…)
pp. 176

(http://www.edicoesesgotadas.com/livro?i=87)

Lançamento do livro “A Cidade dos Sete Mares”

Lançamento: 19 de Julho.

Já disponível através do site da editora Edições Esgotadas
em http://www.edicoesesgotadas.com/livro?i=87
(15x23cm / pp. 270)

 

Lançamento e apresentação no Museu Grão Vasco, junto à Sé, em Viseu, no dia 19 de Julho de 2014, pelas 16 horas.