abolimos a carne e as paixões

Dia 16.

Dão-nos comprimidos. Azuis. Vermelhos. Brancos. E de tantas outras cores. Obrigam-nos a engoli-los. Porque é necessário ensinar o que pensar, a regular o que se pode dizer. E ainda há as injecções. Para domesticar os nervos subcutâneos. E as liturgias. Para reencenar a ficção e ditar os costumes. A moral. A ética. Acabou a era da desordem. Vivemos na Grande Noite, que oculta o corpo e ilumina o espírito. Sabemos o que pensamos. Abolimos a carne e as paixões. Aceitamos a verdade. Libertámo-nos do mito. E dos embaraços da arbitrariedade. E da ilusão de que os indivíduos são únicos e indivisíveis.
A liberdade não se partilha; impõe-se.

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